quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Material preconceituoso é distribuído pela Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo

Militantes pela cidadania LGBT não gostaram nem um pouco do recém-distribuído "Manual de Atenção à Saúde do Adolescente", elaborado pela Coordenação de Desenvolvimento de Programas e Políticas de Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (SMS/SP). Para eles, o material tem "passagens de conteúdo preconceituoso e que de maneira alguma se encontram em concordância com a recente literatura médica, psicológica e pedagógica". O manual tem como data de publicação o ano de 2006, mas foi distribuído nesta semana em algumas unidades de saúde da cidade.

O conteúdo que gerou a polêmica está nas páginas 112-3, onde o texto diz: "Um dos jogos sexuais praticados pelos meninos é o vulgarmente conhecido como 'troca-troca' que, quando descoberto pelos adultos, costuma gerar dúvidas e preocupações quanto a uma possível identificação homossexual na vida adulta. Segundo Tiba, este tipo de prática está mais relacionada ao treino do papel do que à busca da satisfação sexual; nestas situações, o adolescente visualiza o outro como um espelho. A possibilidade de dano só é real quando existe diferença de idade ou de fase de desenvolvimento entre os participantes ou quando, por pressão do grupo ou por vontade própria, o jovem passa a ser sempre o passivo; a permanência nessa passividade pode tornar o púbere um homossexual".

Os militantes alegam que a orientação sexual não é resultado de uma escolha, muito menos decorrente de uma prática isolada conforme se refere o texto na passagem sobre a "permanência na passividade". Outro ponto observado é que o texto associa "preocupação" a "homossexualidade", o que conduz à interpretação de que a homossexualidade é algo "negativo". Afinal, ninguém se preocupa com a possível heterossexualidade de um (a) adolescente.

Como o material é uma importante peça de comunicação da SMS com os profissionais de saúde que trabalham com adolescentes, o Fórum Paulista de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, a ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), o grupo E-Jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados e o Grupo de Pais de Homossexuais, pediram oficialmente na última terça-feira, 3, para que o manual seja revisto e que seja enviado para todos (as) profissionais de saúde do município uma nota explicativa a respeito do tema, a ser elaborada pela Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual (Cads), da Secretaria Municipal de Participação e Parceria.

O Grupo E-Sampa, filiado a ong E-Jovem, está preparando uma carta de protesto e repúdio para ser enviada a Secretaria Municipal de Saúde e aos órgãos competentes da prefeitura de São Paulo.

" Não podemos nos calar diante deste fato. Batalhamos muito para conseguir um canal aberto com a prefeitura e agora, não podemos permitir que esta linha ainda tão fina com a prefeitura, seja rompida por causa deste fato. A melhor militância sempre foi o diálogo e é isto que vamos fazer, buscar um concenso para que este material preconceituoso seja retirado de circulação e que seja corrigido. Além é claro de uma carta de rertratação com os movimentos de miltância LGBTTs atuantes na cidade e esclarecimento aos profissionais da saúde que receberam este material". Alega Flávio Orsollan coordenador do grupo.



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